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	<title>portugues &#8211; Marcha</title>
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	<description>Periodismo popular, feminista y sin fronteras</description>
	<lastBuildDate>Fri, 20 May 2022 16:54:48 +0000</lastBuildDate>
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	<item>
		<title>Teresa Boa: De Abya Yala à Mãe África</title>
		<link>https://marcha.org.ar/teresa-boa-de-abya-yala-a-mae-africa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2022 13:56:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiales]]></category>
		<category><![CDATA[Defensoras]]></category>
		<category><![CDATA[defensoras del territorio]]></category>
		<category><![CDATA[Mozambique]]></category>
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		<category><![CDATA[Teresa Boa]]></category>
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					<description><![CDATA[Cruzar as experiências das Defensoras dos territórios de Abya Yala com a Mãe África é um desafio e não é nossa intenção forçar relações entre os processos históricos e as resistências dos povos. No entanto, ao ressaltar a continuidade dos modelos coloniais nos territórios de defesa, estamos afirmando uma realidade e a possibilidade de globalizar as lutas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style=""><i><span style="font-weight: 400;">Para que existam nações enriquecidas, outras devem necessariamente ser exploradas, saqueadas, usadas, consumidas. É isso o que sustentam as teorias pós-coloniais e transnacionais. Esse é o caso dos territórios e povos situados no chamado Sul Global. Territórios que funcionam como &#8220;encraves coloniais&#8221; &#8211; como explicou Berta Cáceres. Dispositivos imperiais a serviço da espoliação dos bens comuns e da exploração da força de trabalho. Povos que têm diferentes histórias e processos, mas que compartilham as mesmas redes de opressão e raízes coloniais. Nas palavras de Francia Márquez, o enraizamento das comunidades negras em seus territórios em Abya Yala também é uma forma de manter uma conexão com seu território ancestral, com a &#8220;Mãe África&#8221;. </span></i></span></p>
<p><span style=""><i><span style="font-weight: 400;">Cruzar as experiências das Defensoras dos territórios de Abya Yala com a Mãe África é um desafio e não é nossa intenção forçar relações entre os processos históricos e as resistências dos povos. No entanto, ao ressaltar a continuidade dos modelos coloniais nos territórios de defesa, estamos afirmando uma realidade e a possibilidade de globalizar as lutas. </span></i><b><i>Como disse nossa entrevistada de Moçambique, Teresa Boa: “Com esse diálogo, eu gostaria de conhecer mulheres camponesas de outros países e continentes para trocar experiências e aprender sobre como trabalham na defesa de seus territórios”</i></b><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></span></p>
<p><strong><span style="">Por Redação Marcha y BiodiversidadLa (*)</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Consideramos esta entrevista um ponto de partida e um desafio para a continuidade de nosso trabalho jornalístico; trata-se de uma primeira aproximação a partir da perspectiva da entrevistada. Não queremos olhar ou ler o contexto africano de uma perspectiva latino-americana, nem ignorar o trabalho de vários grupos e coletivos que vêm acompanhando e investigando a questão há anos. Mas queremos ampliar nosso olhar, saindo da zona de conforto de conceitos e perspectivas estabelecidas, para pensar sobre o que acontece em outros territórios.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Chegamos a Teresa através das companheiras da Marcha Mundial das Mulheres, um movimento transnacional que inclui diferentes coletivos e organizações feministas. As companheiras tinham comentado, antes da entrevista, sobre a falta de acesso a direitos básicos, o que dificulta às mulheres rurais comunicar suas realidades. Mas não é só isso, em Moçambique, como em outros países do sudeste da África, a situação humanitária, isso é, as ameaças em termos de conflito social, ambiental e armado, são latentes. Só nos últimos 18 meses, aconteceram seis golpes de Estado no continente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">De acordo com o relatório 2021/2022 da Anistia Internacional sobre a situação dos direitos humanos no mundo, o número de vítimas de violações dos direitos humanos e de crimes de guerra está aumentando, particularmente em Moçambique. Por outro lado, o aumento do deslocamento forçado está impedindo que mais de 3 mil pessoas permaneçam em seus territórios. Desde 2017, a província de Cabo Delgado, no norte do país, se encontra em uma crise humanitária como resultado do conflito armado que deixou a população em meio à violência entre a organização armada Al Shabaab, que está destruindo casas e famílias, matando pessoas e sequestrando mulheres e crianças, que também são vítimas de violência sexual. As forças moçambicanas destacadas pelo governo de Filipe Jacinto Nyusi atacaram as pessoas que deveriam proteger e os agentes militares privados contratados para intervir no conflito como forças especiais, de reação rápida, atiraram indiscriminadamente e fizeram mais vítimas. Esse cenário é agravado pela repressão das manifestações públicas em protesto, pelo assédio contra ativistas da sociedade civil e pela perseguição aos jornalistas. </span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-2.jpeg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-54241" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-2-244x410.jpeg" alt="" width="244" height="410" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-2-244x410.jpeg 244w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-2-610x1024.jpeg 610w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-2-640x1074.jpeg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-2.jpeg 763w" sizes="(max-width: 244px) 100vw, 244px" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Moçambique conta com uma população majoritariamente rural que se sustenta com a organização comunitária e a produção de seus próprios alimentos. Lá, as defensoras, como conta Teresa, são conhecidas como &#8220;Paralegais comunitárias&#8221;. São elas que acompanham as comunidades na assessoria jurídica de forma voluntária. Teresa desempenha essa tarefa em seu vilarejo, uma comunidade localizada a uns 100 quilômetros da capital, Maputo. Ela acompanha e orienta sobre o cumprimento da Lei de Terras, em particular. Acompanhar e exigir o cumprimento de uma lei de terras em um país onde o modelo de produção avança de forma desproporcional na extração de gás e rubis não é uma tarefa fácil. No entanto, Teresa assume essa tarefa com grande empenho e, além disso, ela encontrou tempo para se comunicar e compartilhar sua experiência conosco.</span></p>
<hr />
<p><span style=""><b>Qual é sua experiência de luta, quais são suas principais tarefas e como elas estão organizadas em sua comunidade ou território?</b></span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Eu sou paralegal de Lei da Terras aqui no meu país. Paralegal é a pessoa que mobiliza as comunidades para mostrar os seus direitos, por exemplo, quando tiram as terras das mulheres rurais, quando ocorre a usurpação da terra das mulheres, eu tenho que fazê-las entender, mostrar o que está acontecendo.</span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-3.jpeg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-54242" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-3-231x410.jpeg" alt="" width="231" height="410" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-3-231x410.jpeg 231w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-3-576x1024.jpeg 576w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-3-640x1138.jpeg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Teresa-Boa-Mozambique-3.jpeg 720w" sizes="(max-width: 231px) 100vw, 231px" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">E esse é meu trabalho, eu tenho que mostrar às mulheres a lei que as defende, que é a lei 19/1997, a lei de terras, e tenho que dizer a elas onde devem encaminhar os problemas para poderem recuperar suas terras. Agora faço isso e trabalho com outras associações, articulando o Fórum das Mulheres Rurais a nível de todo o país. </span></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style=""><b>Lei de Terras</b></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">A primeira Constituição de Moçambique, criada em 1975, foi um modelo em termos de acesso, uso e usufruto de terras e bens comuns, declarados como propriedade do Estado.  Dentro dessa estrutura constitucional, foram eliminados os direitos de propriedade de terra fora da propriedade pública após a nacionalização das terras agrícolas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">Com a criação da Constituição da República de Moçambique em 1990, foram </span><span style="font-weight: 400; ">geradas as condições para uma nova política fundiária, que reconhece expressamente a propriedade privada. No entanto, alguns de seus pontos centrais ainda apontam para a titularidade/propriedade de terras pelo Estado. Nela, os direitos das pessoas são materializados em poderes reconhecidos como o direito de uso e usufruto da terra. A terra é para as pessoas que nela trabalham ou que a utilizam, de modo que não é permitido usá-la como um meio econômico. Assim, a propriedade da terra, como um direito real, é possível no direito privado, desde que se refira ao direito de uso e usufruto da terra (art. 47, nro 2).</span></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style=""><span style="font-weight: 400;">Agora temos problemas de erosão; com as mudanças climáticas, temos que mobilizar nossas comunidades para que possam estar por dentro dos assuntos, daquilo que fazem com nossa terra e nossos bens naturais, </span><b>com esse problema das mudanças climáticas, a situação é muito hostil, nossa vida cotidiana foi afetada, temos que seguir as épocas das chuvas para poder fazer as sementeiras.</b></span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/2.-Teresa-Boa-Mozambique-1.jpeg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-54245" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/2.-Teresa-Boa-Mozambique-1-434x410.jpeg" alt="" width="434" height="410" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/2.-Teresa-Boa-Mozambique-1-434x410.jpeg 434w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/2.-Teresa-Boa-Mozambique-1-1024x968.jpeg 1024w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/2.-Teresa-Boa-Mozambique-1-640x605.jpeg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/2.-Teresa-Boa-Mozambique-1.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 434px) 100vw, 434px" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Estamos organizadas a nível nacional através das associações, fóruns das mu</span><span style="font-weight: 400; ">lheres, e também da educação das meninas sobre a violência de gênero nas escolas. E todas essas lutas culminam com os trabalhos que as mulheres têm feito em todo o país. Fazemos conferências a nível nacional para concertar estratégias e ações comuns sobre o que o governo aprova e as mulheres moçambicanas não aceitam. Então, quando nós não aceitamos, nos reunimos, discutimos, e realizamos algumas conferências para poder chamar alguns membros do governo e apresentar as nossas preocupações.</span></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">Moçambique se emancipou de Portugal em 1975. O país está em um conflito interno entre a Frente de Libertação de Moçambique e a Resistência Nacional Moçambicana desde 1977. De lá para cá, aconteceram diversas tensões e conflitos sociais, religiosos, políticos, econômicos e ambientais que não são alheios aos processos transnacionais e ao modelo extrativista global. Somente entre 2017 e 2021, mais de 2 mil pessoas foram assassinadas e aproximadamente 700 mil foram expulsas de seus territórios.</span></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400; "> </span><span style=""><b>Nos últimos anos, a situação em Moçambique se tornou muito complicada devido ao avanço do conflito armado entre o governo e grupos extremistas e ao avanço do modelo extrativista sobre os territórios. O que significa ser uma trabalhadora rural ou camponesa em um contexto tão hostil?</b></span></p>
<p><span style=""><b>A situação de conflito no meu país é uma realidade e começou quando o governo aprovou a exploração das minas no rio Rovuma, para extrair gás, pedras preciosas, petróleo, entre outros recursos naturais.</b><span style="font-weight: 400;"> Essa situação tem criado conflitos porque há outras pessoas, de outros países, que vem e querem levar nossos minérios sem autorização, e são conflitos sérios. </span></span></p>
<p><span style=""><b>Aqui os que sofrem são nós, mulheres e crianças. Mulheres perdem as terras, são deslocadas, vivem em lugares incertos, estão passando mal, sem comida, sem nada, e a guerra não terminou, a guerra continua.</b></span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Sobretudo para as comunidades que estão lá em Cabo Delgado, no centro do conflito, realmente elas estão passando mal; também aqui no centro, em Beira, em Manica e em Beira, há problemas de conflitos armados, mas aqui está mais ou menos apaziguado até agora, porque conseguiram raptar um dos líderes.</span></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400; ">Várias multinacionais francesas como a Total, Technip e EDF e multinacionais estadunidenses como a Anadarko se estabeleceram na província de Cabo Delgado para explorar as reservas de gás. Esses projetos são rejeitados pelas comunidades porque vêm acompanhados da presença de empresas internacionais de segurança privada, do aumento da militarização, da violência de gênero e do deslocamento forçado de pessoas. Eles também constituem uma séria ameaça ambiental: afetam a zona costeira e a flora e fauna locais.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400; "> </span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/3.-Mozambique-por-Luis-Godinho.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-full wp-image-54244" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/3.-Mozambique-por-Luis-Godinho.jpg" alt="" width="593" height="395" /></a></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Essa situação tão complexa e violenta, sobre a qual o governo tenta tapar a nossa vista, têm grupos que vêm da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC na sigla em inglês), da Australia, que mandaram contingentes militares para apoiar e, a partir dali, de quando vieram esses estrangeiros, as coisas estão minimamente resolvidas, mas sabemos que eles têm interesses no território e também nos recursos. Mas isso também foi resolvido, porque alguns desses líderes fugiram e outros morreram por causa da violência armada e terrorista ou porque avançaram para outras províncias. </span></p>
<p><span style=""><span style="font-weight: 400;">Então, apesar da situação atual, a guerra não está terminada, mas estamos a tentar e as mulheres estão a sobreviver. Não sei como, porque há muita gente que está a sofrer por causa dessas guerras e esses conflitos que temos, e isso se deve claramente </span><b>ao governo que, quando explora esses minérios, não dá às populações uma vida estável. Nós somos extremamente pobres no nosso país, mas ele está cheio de minérios.</b></span></p>
<p><span style="font-weight: 400; "> <a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/1.-Mozambique-por-Luis-Godinho.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-54246" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/1.-Mozambique-por-Luis-Godinho-615x410.jpg" alt="" width="615" height="410" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/1.-Mozambique-por-Luis-Godinho-615x410.jpg 615w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/1.-Mozambique-por-Luis-Godinho-640x427.jpg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/1.-Mozambique-por-Luis-Godinho.jpg 678w" sizes="(max-width: 615px) 100vw, 615px" /></a></span></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">O rio Rovuma, como ainda é conhecido em Moçambique, é um longo rio da África Oriental que corre ao longo da fronteira entre a Tanzânia e Moçambique. Tem cerca de 800 km de extensão e um fluxo de 475 m 3/s em sua desembocadura.</span></p>
</blockquote>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400; "> </span><span style=""><b>Após a pandemia de COVID-19, a situação da África foi totalmente invisibilizada em outros continentes. Atualmente, a distribuição das vacinas criadas para a erradicação do vírus é muito desigual no mundo e, particularmente na África, apenas 11% da população foi vacinada. Qual é a situação em Moçambique com relação ao acesso à saúde e, em particular, como vocês estão lidando com o vírus da COVID-19 em seu vilarejo?</b></span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Sobre a COVID-19, realmente tivemos e temos essa epidemia, sem que ninguém se importe. Mas ela não chegou com tanta agressividade como em outros continentes, como a Europa, e outros tantos. Chegou, mas não tínhamos números muito alarmantes, mesmo assim, para prevenir, o governo teve apoio de outros governos para mandar vacinas, aqui em Moçambique já nos vacinamos, já estamos com a primeira e segunda dose, agora querem fazer a terceira, mas podemos dizer que a situação da covid está controlada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Houve um tempo, inicialmente, quando chegou a covid, havia um alarme vermelho, mas depois as coisas foram normalizadas. Inclusive o presidente da República anunciou a abertura de todas as atividades, porque a situação está controlada e temos consciência sobre a doença, que ninguém deve viver sem máscaras, que não devemos ficar em espaços aglomerados sem máscara. Estamos nos cuidando, sim, também nos espaços onde damos as nossas palestras, nas nossas comunidades, nas nossas associações, mobilizamos as nossas comunidades sobre isso.</span></p>
<hr />
<p><span style="font-weight: 400; "><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Diseno-sin-titulo-10.png"><img loading="lazy" class="size-medium wp-image-54247 alignleft" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Diseno-sin-titulo-10-290x410.png" alt="" width="290" height="410" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Diseno-sin-titulo-10-290x410.png 290w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Diseno-sin-titulo-10-640x905.png 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/04/Diseno-sin-titulo-10.png 724w" sizes="(max-width: 290px) 100vw, 290px" /></a>Esta entrevista faz parte da série “Defensoras. La vida en el centro” [Defensoras. A vida no centro], um trabalho conjunto do Marcha Noticias e da Acción por la Biodiversidad com o apoio da Fundação Siemenpuu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">*A entrevista foi realizada por Camila Parodi e Maru Waldhüter em 2022</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; "><strong>Edição:</strong> Laura Salomé Canteros, Camila Parodi e Nadia Fink</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; "><strong>Ilustração:</strong> Ximena Astudillo</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; "><strong>Tradução:</strong> Luiza Mançano</span></p>
<p>&nbsp;</p>

<p><a href="https://marcha.org.ar/teresa-boa-de-abya-yala-a-mae-africa/">Source</a></p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Berta Cáceres: “Nós, mulheres, indígenas e negras, temos um século de resistência”</title>
		<link>https://marcha.org.ar/berta-caceres-nos-mulheres-indigenas-e-negras-temos-um-seculo-de-resistencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marcha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Apr 2022 13:41:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiales]]></category>
		<category><![CDATA[#JusticiaParaBerta]]></category>
		<category><![CDATA[Berta Caceres]]></category>
		<category><![CDATA[Defensoras]]></category>
		<category><![CDATA[defensoras del territorio]]></category>
		<category><![CDATA[portugues]]></category>
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					<description><![CDATA[O feminicídio político da defensora dos rios e líder do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), Berta Cáceres Flores, é um ponto de inflexão no reconhecimento das Defensoras dos territórios do Sul Global. Seis anos após ter virado semente, compartilhamos suas reflexões.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style=""><span style="font-weight: 400;">O feminicídio político da defensora dos rios e líder do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), Berta Cáceres Flores, é um ponto de inflexão no reconhecimento das Defensoras dos territórios do Sul Global. Seis anos após ter virado semente, compartilhamos suas reflexões para a série “Defensoras. A vida no centro”, um trabalho realizado em parceria pelo </span><span style="font-weight: 400;">Marcha Noticias</span><span style="font-weight: 400;"> e pela </span><span style="font-weight: 400;">Acción por la Biodiversidad</span><span style="font-weight: 400;">.</span></span></em></p>
<p><strong><span style="">Por Redacción Marcha * | Ilustración: Ximena Astudillo </span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Berta, junto com a comunidade do Rio Gualcarque, se opôs à construção do projeto hidrelétrico &#8220;Agua Zarca&#8221;, da empresa DESA, em seu território, e por esse motivo foi assassinada por um grupo de pistoleiros contratados pela empresa, com a cumplicidade do Estado hondurenho.</span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/Berta-caceres.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-53963" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/Berta-caceres-630x372.jpg" alt="" width="630" height="372" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/Berta-caceres-630x372.jpg 630w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/Berta-caceres-640x378.jpg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/Berta-caceres.jpg 770w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400; ">– Foto retirada de Colombia informa</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Desde o assassinato em 2016 até os dias de hoje, os povos de Abya Yala têm evidenciado diferentes formas de ameaças e ataques vinculados ao avanço de projetos extrativistas em seus territórios, com consequências que se somam à crise sistêmica exposta pela pandemia de covid-19 e pela crise climática.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Em 2015, Berta recebeu o Prêmio Ambiental Goldman, o maior reconhecimento mundial para ativistas ambientais. Na cerimônia de premiação, a defensora dos rios já previa o contexto atual de crise social e ambiental: “Desperta, humanidade, já não há tempo!”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Durante a última viagem de Berta à Argentina, em 2014, conversamos com ela. Ela explicou, a partir de uma perspectiva de gênero, a situação do povo hondurenho diante do avanço da privatização e da espoliação de seus territórios e bens comuns com a cumplicidade do Estado hondurenho e seu braço paramilitar. Também falamos sobre o lugar das feministas na luta dos movimentos populares, indígenas e camponeses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Conversamos com Berta em uma pizzaria, em um desses restaurantes emblemáticos localizados na Rua Corrientes, na cidade de Buenos Aires, frequentados na saída dos principais teatros. Mas não tínhamos ido ao teatro, nem saído para passear sem rumo pelas livrarias e lojas de discos da avenida. Não me lembro exatamente, mas provavelmente estávamos saindo de alguma marcha ou talvez da entrega de alguma declaração coletiva à Embaixada de Honduras ou ao Ministério das Relações Exteriores argentino, onde denunciávamos a situação pela qual o país de Berta estava passando.</span></p>
<p><span style=""><span style="font-weight: 400;">Quando ela viajava para a Argentina, a Equipe de Educação Popular </span><i><span style="font-weight: 400;">Pañuelos en Rebeldía</span></i><span style="font-weight: 400;"> coordenava cada momento de visita, cada conversa necessária. Quem frequentava o espaço queria ouvi-la, saber mais sobre aquele país tão distante do qual tínhamos ouvido falar tão pouco na escola. As místicas do espaço Pompeya, a ronda com as Mães da Praça de Maio, as mesas das Feministas em Resistência nos Encontros Plurinacionais, o Tribunal dos Povos contra as Transnacionais, com a presença de defensoras de diferentes territórios, sempre faziam parte da agenda. </span></span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Em cada um desses lugares, quando ela falava, o silêncio imperava. Poucas pessoas como Berta conseguiam expressar a brutalidade sem perder a ternura.</span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/3-Berta-tomada-de-Nodal-1.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-53966" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/3-Berta-tomada-de-Nodal-1-630x354.jpg" alt="" width="630" height="354" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/3-Berta-tomada-de-Nodal-1-630x354.jpg 630w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/3-Berta-tomada-de-Nodal-1-1024x576.jpg 1024w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/3-Berta-tomada-de-Nodal-1-640x360.jpg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/3-Berta-tomada-de-Nodal-1.jpg 1280w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400; ">– Foto retirada de Nodal</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">“Honduras funciona como um encrave, como um laboratório”, concluía Berta ao longo de suas reflexões; um país laboratório no qual são feitos experimentos com a vida dos povos para traçar as melhores políticas de invasão ianque. Ela sabia que poucas de nós poderiam apontar com exatidão num mapa as linhas que delimitam Honduras na América Central. Certamente, as fronteiras e os limites não estavam entre as suas preocupações, mas ela sabia que existiam e que era preciso rompê-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Esta entrevista, como estava dizendo, foi realizada em uma pizzaria, com sons e cheiros cotidianos. Era o último dia da visita de Berta e ela tinha falado em diferentes espaços ao longo do dia. Daria apenas para jantar e relaxar, tomar uma cerveja e jogar conversa fora; no dia seguinte, sairia muito cedo para ir ao aeroporto. O descanso era tão necessário quanto as suas denúncias, que se multiplicavam a cada ano, e para nós era urgente comunicar tanta hostilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Nos aproximamos dela junto com uma companheira, para perguntar se poderíamos realizar a entrevista, tão esperada. Imediatamente, ela nos disse que sim. Pensamos que ficaríamos paradas ali no meio do corredor da pizzaria e que só poderíamos fazer uma ou duas perguntas. Mas não, ela propôs que todas nos sentássemos em outra mesa para poder ouvir com atenção e responder cada pergunta com calma e de forma aprofundada.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Nós sabíamos, por conversas e trocas em confiança que tivemos, que a situação de Berta em seu território era mais complexa a cada dia. As violências tinham se tornado cotidianas e a comunidade exercia seu direito à autonomia através do controle territorial. O que não sabíamos é que essa seria nossa última noite com ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Um ano e alguns meses depois, mataram nossa companheira, nossa irmã. Berta, de palavras serenas e sorrisos de cumplicidade. Berta, a defensora dos povos e dos rios. Hoje somos todas Berta, e isso não é apenas uma palavra de ordem: suas reflexões e lutas percorrem todos os territórios e fomentam a luta por sua defesa. A esperança de Berta nos faz despertar todos os dias, porque, mais cedo ou mais tarde, “vamos consegui-lo”, como o rio lhe disse certa vez.</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400; ">Camila Parodi, 2022</span></p>
<hr />
<p><strong><span style="">– Apesar da “mudança de governo”, vemos uma continuidade do golpe de Estado contra Manuel Zelaya em 2009, uma espécie de golpe disfarçado. Qual é o contexto atual no qual o povo de Honduras se encontra diante desse cenário?</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">– Infelizmente, já tínhamos dito isso, e hoje estamos caminhando para a internalização de um projeto de dominação em Honduras após o golpe de Estado, que não só se expandiu como também se consolidou. E essa consolidação se deu através da implementação de um grau de entrega da soberania, do território e dos recursos naturais a empresas transnacionais, mineradoras, ao setor energético, a muitas empresas turísticas, à exploração das florestas, à exploração de mão de obra barata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Estamos em um país onde a injustiça social é terrível e as desigualdades são abissais. É um dos países mais violentos do mundo, com a maior taxa de homicídios da região e uma intensa militarização que acompanha todo esse projeto de dominação, que afeta particularmente as mulheres, pois o fortalecimento da militarização significa um maior ataque contra as mulheres em todos os níveis e aspectos que podemos imaginar.</span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/2015_BertaCaceres_08-scaled.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-53965" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/2015_BertaCaceres_08-616x410.jpg" alt="" width="616" height="410" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/2015_BertaCaceres_08-616x410.jpg 616w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/2015_BertaCaceres_08-1024x682.jpg 1024w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/2015_BertaCaceres_08-1536x1023.jpg 1536w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/2015_BertaCaceres_08-2048x1364.jpg 2048w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/2015_BertaCaceres_08-640x426.jpg 640w" sizes="(max-width: 616px) 100vw, 616px" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400; ">– Foto retirada de Radio Kermese</span></em></p>
<p><strong><span style="">– Quais são esses aspectos e mecanismos de controle?</span></strong></p>
<p><span style=""><span style="font-weight: 400;">– Vivemos num país de enclaves coloniais</span><span style="font-weight: 400;">, onde fomos divididos numa aberração nunca vista em quinhentos anos: a entrega brutal de Honduras naquilo que o Estado chama de zona de empregos e desenvolvimento econômico, popularmente conhecida como &#8220;cidades-modelo&#8221;. Isso implica a criação de enclaves coloniais, que contarão com seus próprios governos, legislação, medidas de imigração, exército e tribunais, bem como com mecanismos próprios para criar acordos de livre comércio sem passar pelo Congresso Nacional. É uma terceirização da justiça. Os governantes podem ser estrangeiros; e, de fato, alguns já foram escolhidos, o que vai significar a chamada rachadura do Estado hondurenho, pois o transforma em &#8220;republiquetas&#8221;.</span></span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Desde o golpe de Estado vem sendo preparado todo um aparato legislativo para garantir uma “segurança jurídica” a todos esses investimentos através da privatização e da militarização. Assim foram aprovadas medidas e incentivos para investimentos em mineração, extrativismo, turismo, energia, e soma-se a isso a criminalização dos movimentos sociais através de leis como a de inteligência e a de intervenção na comunicação, tanto na pública quanto na privada, todas copiadas da Colômbia. Além disso, as figuras jurídicas utilizadas para nos acusar têm mudado de tal forma que os lutadores e as lutadoras sociais têm que enfrentar situações perante a qual o Estado não é uma instituição que funciona para o povo, com seus graus de impunidade, total falta de amparo e violação dos Direitos Humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Neste contexto, foram aprovadas leis, como a lei de pesca, por exemplo, que oferece concessões para plataformas marítimas, algo impressionante, que nunca tinha acontecido antes, e que entrega as plataformas às empresas petroleiras, como já ocorre. E, no caso dessa lei, ela também vai servir para entregar [as concessões] à grande indústria de camarões, atacando o trabalho dos pescadores artesanais.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">As cidades-modelo são projetadas da mesma forma que há quinhentos anos: da mesma forma como alguns de nossos territórios foram divididos para extrair ouro, enquanto outros para prata, índigo, e fomos sendo divididos em enclaves de frutas, de banana. A mesma coisa está acontecendo agora, especialmente no caso dos povos indígenas Lenca, que são alvos do maior ataque, porque estão exatamente onde existe a maior riqueza.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; "> <strong> ¿O que são as “cidades-modelo”? </strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; "> Em pelo menos três territórios de Honduras, foi implementado o projeto de &#8220;Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico&#8221; (ZEDE). São cidades que funcionam com leis, instituições e forças armadas próprias, com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros. Para as organizações sociais e indígenas, essa delimitação tem como objetivo construir locais para a instalação de economias ilegais, para o narcotráfico e para a privatização/expropriação de territórios tradicionais.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">Tudo isso em uma situação econômica dramática, em que mais de oitenta por cento da população vive na pobreza e na miséria, segundo dados do Banco Mundial e da ONU, com uma violência brutal sem precedentes: 89 mortes a cada 100 mil. E em cidades como San Pedro Sula, com menos de um milhão de habitantes, a taxa de mortalidade por assassinato é superior a 180. Em Honduras estamos vivendo uma carnificina humana e isso não é algo isolado, é planejado, é o resultado de uma enorme injustiça social, política e econômica.</span></p>
<p>&nbsp;</p></blockquote>
<p><strong><span style="">–Como isso afeta os lutadores e as lutadoras e, em particular, a juventude?</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">– Os mais atingidos e impactados por essa carnificina são os jovens. Um relatório de organizações de defesa da infância mostrou que quase 400 crianças menores de 18 anos foram assassinadas em Honduras até agora, só em 2014. As taxas de feminicídio, de assassinatos políticos e e assassinatos da população LGBT são brutais. Então vivemos em um país onde ser uma lutadora é muito difícil, onde apenas sobreviver já é um milagre por si só.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">    Caravanas migrantes</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">Desde 2018, milhares de pessoas têm migrado à força pelo recrudescimento das violências em Honduras. As caravanas de migrantes no norte da América Central se deram ao longo dos anos; no entanto, elas ganharam mais relevância em número e frequência nos últimos tempos. Através das caravanas, grupos de migrantes decidiram se deslocar, principalmente a pé, para chegar aos Estados Unidos, atravessando o México. Em resposta a essa ação, o ex-presidente Donald Trump construiu um muro fronteiriço de 3.000 km.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;"><strong><span style="">–-Nesse quadro, no qual os movimentos visualizam uma tripla dominação capitalista, patriarcal e racista, quais estratégias e alternativas estão sendo construídas a partir do campo popular?</span></strong></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400; ">– Neste momento, o desafio enfrentado pelo movimento popular é enorme, porque estamos vindo de um grau de desmoralização bem forte, de um golpe de Estado que não pôde ser revertido e da perda de um partido no qual o povo tinha, de alguma forma, colocado suas esperanças de ter algo diferente. Mas com a fraude, as pressões e a manipulação dos Estados Unidos e da direita, assim como os erros da própria esquerda, ela perdeu as eleições. E o Partido Nacional foi o vencedor, com Juan Orlando Hernández (JOH), que está entregando o país inteiro. Acho que ele é ainda pior do que o Porfirio López, porque era praticamente quem estava no comando e tinha o poder nas administrações passadas, então agora ele só tem que executar, porque já tinha aprovado tudo no Congresso. É por isso que é um grande desafio, porque viemos dessa combinação de desmoralização dramática do povo.</span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-5.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-53967" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-5-630x354.jpg" alt="" width="630" height="354" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-5-630x354.jpg 630w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-5-1024x576.jpg 1024w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-5-640x360.jpg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-5.jpg 1200w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400; ">– Foto retirada de Sierra Club</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Neste período, estamos na luta pela sobrevivência, na luta para nos manter como organizações perante os ataques produzidos a partir do poder, que é pura contrainsurgência, como nos anos anteriores. Não é verdade que na América Central essas estratégias de contrainsurgência contra os movimentos sociais tenham sido desmontadas. Elas continuam vivas, são sustentadas e financiadas – embora tenham mudado de modalidade para uma ainda mais perigosa. Temos resistências comunitárias a partir das bases, resistências e revoltas nos territórios, de exercício direto da autonomia e do controle territorial. E isso quer dizer que as comunidades fazem um esforço imenso para refirmar, reconhecer e recuperar seus territórios.</span></p>
<p><strong><span style="">–Como no caso do Río Blanco, certo?</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">–Isso, no setor norte de Intibucá.  Na área da fronteira, os povos indígenas estão numa luta obstinada e direta contra as transnacionais e as empresas da oligarquia hondurenha. Então isso também quer dizer que há um aumento dos riscos e do nível de desproteção diante dos ataques às comunidades, contra os povos indígenas e aos próprios movimentos como o COPINH devido à criminalização instaurada.</span></p>
<p><strong><span style="">-E o COPINH, particularmente, em qual situação está? </span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Estamos em um processo de autorreflexão crítica sobre os nossos erros, de ter canalisado o movimento social, em sua maioria, em um processo eleitoral. E isso precisa ser aprofundado, ainda precisa ser amadurecido, mas estamos agora em um contexto de diversas lutas territoriais, com muitas lutas comunitárias e, como consequência, com muita repressão e assassinatos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">E então o grande desafio que temos pela frente é o de voltar a se articular, não apenas através da Frente Nacional de Resistência Popular, mas também através de outro espaço igualmente legítimo que estamos construindo. Acho que reavivar e canalizar a esperança, a convicção de que temos razões para continuar lutando por uma Honduras diferente e refundada continuará fomentando a mobilização popular e a resistência de forma articulada.</span></p>
<p><strong><span style="">-E abandonando a aposta eleitoral?</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">No COPINH, assumimos uma posição crítica sobre isso, enquanto organização não nos associamos a nenhum partido político, nem queremos aderir a nenhum partido político. Nem mesmo no LIBRES (&#8220;Liberdade e Refundação&#8221;, um partido político de esquerdas em Honduras), que é fruto da resistência ao golpe, nós poderíamos; escolhemos permanecer como um movimento autônomo e independente, que aposta na luta anticapitalista, antirracista e antipatriarcal. Mas isso não significa que consideramos um erro ter criado um partido, é necessário travar essa batalha. Significa somente que é importante não submeter ou não transformar o movimento social em um apêndice dos partidos políticos. Assim como não abandonar a luta social, que tem propostas políticas emancipatórias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Assim, seria importante conseguir vincular os objetivos de uma aposta partidária eleitoral definida claramente pela refundação, e não por reformas, com posições como os mandatos das assembleias populares da Frente de Resistências Populares. Se pudermos concretizar e criar realmente uma vontade política de avançar nessa proposta de vida, então, sim, teremos uma possibilidade de convergência. Mas isso não significa que temos que nos casar, mas que devemos manter nossa autonomia, com uma coordenação estratégica, compreendendo que somos diferentes e que podemos convergir se tivermos um projeto de emancipação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">No LIBRES há um debate em curso, um grupo de companheiros e companheiras que estão repensando essas questões, mas claramente há muitos desafios. Separar a liderança das práticas políticas partidárias que questionamos é sempre muito difícil, implica uma revolução em todo esse processo e a formação de uma nova força social, revitalizada, com uma verdadeira proposta para o povo hondurenho, que consiga alcançar toda a injustiça mencionada e com novas práticas políticas éticas que assumam a complexidade e a diversidade que somos, aí está a fórmula para avançar. Que a diversidade seja a riqueza, mas com um horizonte de convergência política claro para desmantelar a tripla dominação que vivemos hoje.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="">    Xiomara presidenta</span></strong></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">    Em Honduras, em 28 de novembro de 2021, foram realizadas eleições presidenciais e Xiomara Castro foi eleita a primeira presidenta na história do país. Sua vitória marca o fim do período político fraudulento e conservador que começou com o golpe de Estado contra José Manuel Zelaya em 2009. Em seu programa, Xiomara Castro prometeu a &#8220;refundação de Honduras&#8221; e o fim do narcoestado.</span></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">    Durante a posse de Xiomara, Berthita Cáceres Zúniga, atual coordenadora do COPINH e filha de Berta, entregou à presidenta a “Vara Alta Lenca”, símbolo de reconhecimento, respeito e autoridade, mas também para reafirmar o compromisso com a organização e o pedido de justiça por Berta Cáceres.</span></p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/baston-1.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-53968" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/baston-1-630x315.jpg" alt="" width="630" height="315" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/baston-1-630x315.jpg 630w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/baston-1-640x320.jpg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/baston-1.jpg 750w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400; ">– Foto retirada del Diario La Tribuna</span></em></p>
<p><strong><span style="">– No momento do golpe de Estado, o lugar das feministas nas ruas foi muito importante e contribuiu muito para o debate interno dentro dos movimentos populares para que assumissem a luta contra o golpe e contra a violência patriarcal. Ao mesmo tempo, nesse processo de transformação se intensificou o questionamento interno sobre a violência machista nos próprios movimentos. Como esse processo está sendo sustentado e qual é o papel das feministas, que foram tão importantes na resistência hondurenha?</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">– Diante das múltiplas formas de dominação, as lutas das organizações e das mulheres feministas passaram a um outro momento, mas que ainda tem como fio condutor o que construímos após a resistência ao golpe. Nesse contexto, tanto as organizações de mulheres quanto as mistas, as rurais e as urbanas, estão fazendo um esforço para continuar lutando contra o patriarcado, primeiro dentro das organizações do próprio movimento popular, o que, de alguma forma, implementamos. Mas é claro, tem sido muito difícil, e acho que ainda temos um longo caminho a percorrer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Como mulheres, estamos agora na luta pelos Direitos Humanos, porque a violência contra as mulheres aumentou e agora há mais assassinatos escancarados de mulheres por serem lutadoras sociais. É por isso que agora estamos unindo forças para defender nossas vidas, porque estamos acompanhando todo o processo de criminalização, de cerco e assédio, e de ameaças constantes. Esses são pontos comuns que unem os movimentos indígenas, negros, feministas e camponeses; é por isso que no próximo ano vamos retomar a proposta de refundação do Estado a partir da perspectiva antipatriarcal que nos une.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">A partir desse encontro e desse intercâmbio, estamos avançando, criando algo que pode não ser necessário nos contextos de outros países, mas que é necessário no nosso, que é nutrir-se de esperança mais uma vez para contrapor um pouco da desmoralização ocorrida, revitalizar nossa luta e a convicção do que fazemos para tentar retomar uma visão mais atualizada, de acordo com a leitura sobre o que passamos e dos nossos desacertos, para uma nova proposta, retomando o projeto de vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">A resistência não começou com o golpe de Estado; nós mulheres, mulheres indígenas e negras, temos um século de resistência. Seguimos nos encontrando; como feministas e povos indígenas, temos concordâncias políticas no debate dentro da Frente de Resistência e, como também temos concordâncias na luta antipatriarcal, essa articulação continua sendo sustentada.</span></p>
<p><strong><span style="">– Dada a forte presença feminista na resistência e a tensão com outros setores do campo popular desde o golpe, depois de todos esses anos, o avanço do feminismo dentro do campo popular foi mantido ou houve um retrocesso?</span></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">– Houve um pouco de desânimo nos movimentos feministas. Do nosso ponto de vista, também estava presente o medo. Essa desesperança também atingiu o movimento feminista, que também teve diferenças nos posicionamentos sobre a questão eleitoral. Ao mesmo tempo, acho que existem alguns setores que estão voltando agora à via institucional. Embora algumas propostas possam ser interessantes, há também o risco de serem absorvidas pelo governo, pelas instituições oficiais, como no caso da lei sobre os defensores, que decide quem é defensor e quem não é. É muito perigoso. Portanto, existe um debate, algumas discussões e diferenças porque mesmo antes do golpe de Estado já existia essa abordagem, e eu não estou dizendo que ela é ruim em todos os contextos, mas no contexto hondurenho é muito difícil.</span></p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-4.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-53969" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-4-630x351.jpg" alt="" width="630" height="351" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-4-630x351.jpg 630w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-4-640x356.jpg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-4.jpg 790w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400; ">Foto retirada de DW</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Mas também entendemos que existe uma situação de desespero devido à violência. Mesmo assim, essa dinâmica institucionalizada só aprofunda o buraco da criminalização e da estigmatização, pois aqueles e aquelas de nós que assumimos ser lutadores e lutadoras sociais e indígenas, ao invés de defensores, acabamos sendo tachados de terroristas. Há muitas coisas nas quais é preciso trabalhar e pelas quais temos que continuar lutando. Mesmo assim, no final das contas, com a experiência da luta contra o golpe e a resistência, tendo posições políticas claras sobre a dominação múltipla, acredito que vamos conseguir criar convergências, já que temos mais elementos para concordar do que divergências.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="">    Justiça Para Berta</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">    Em 5 de junho de 2021, o Tribunal de Justiça de Honduras condenou por unanimidade o ex-diretor da empresa hidrelétrica Empresa Desarrollos Energéticos S.A (DESA), Roberto David Castillo, como o autor intelectual do femicídio político de Berta Cáceres, ocorrido em 2 de março de 2016.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">Castillo foi presidente-executivo da DESA e é o primeiro autor intelectual do crime a ser condenado. Através do julgamento, foi possível demonstrar a participação da empresa, em cumplicidade com o Estado hondurenho, no assassinato da defensora dos rios.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400; ">Em 2019, outras sete pessoas foram condenadas, incluindo Douglas Bustillo, antigo chefe de segurança da DESA, que – de acordo com o Tribunal de Justiça – se comunicava com Castillo.</span></p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-6.jpg"><img loading="lazy" class="aligncenter size-medium wp-image-53970" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-6-630x354.jpg" alt="" width="630" height="354" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-6-630x354.jpg 630w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-6-640x360.jpg 640w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/berta-6.jpg 880w" sizes="(max-width: 630px) 100vw, 630px" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><span style=""><i><span style="font-weight: 400;">Foto retirada de Vida Nueva</span></i></span></p>
<hr />
<p><span style=""><span style="font-weight: 400;"><a href="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/BERTA_CACERES.png"><img loading="lazy" class="size-medium wp-image-53974 alignleft" src="http://www.marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/BERTA_CACERES-290x410.png" alt="" width="290" height="410" srcset="https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/BERTA_CACERES-290x410.png 290w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/BERTA_CACERES-724x1024.png 724w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/BERTA_CACERES-1086x1536.png 1086w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/BERTA_CACERES-1448x2048.png 1448w, https://marcha.org.ar/wp-content/uploads/2022/03/BERTA_CACERES-640x905.png 640w" sizes="(max-width: 290px) 100vw, 290px" /></a>Esta entrevista faz parte da série &#8220;Defensoras. La vida en el centro&#8221; [Defensoras. A vida no centro], um trabalho conjunto do </span><i><span style="font-weight: 400;">Marcha Noticias</span></i><span style="font-weight: 400;"> e da </span><i><span style="font-weight: 400;">Acción por la Biodiversidad</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o apoio da Fundação Siemenpuu.</span></span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">Escolhemos Berta para dar início à série porque sua luta marcou uma reviravolta na resistência e na defesa dos territórios que têm prosseguido ao longo dos últimos anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; ">*A entrevista foi realizada por Camila Parodi e Ana Castillo na cidade de Buenos Aires em novembro de 2014.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; "><strong>Edição</strong>: Laura Salomé Canteros, Camila Parodi e Nadia Fink</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; "><strong>Ilustração:</strong> Ximena Astudillo</span></p>
<p><span style="font-weight: 400; "><strong>Tradução:</strong> Luiza Mançano</span></p>

<p><a href="https://marcha.org.ar/berta-caceres-nos-mulheres-indigenas-e-negras-temos-um-seculo-de-resistencia/">Source</a></p>]]></content:encoded>
					
		
		
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	</channel>
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